Tem tempo
tal qual Shakira: y ahora estoy aquí
Eu ainda adoro aqui, mas minha filha Yoko nasceu (no dia das crianças, não era pra ser, era pra ela ser escorpiana, mas os erês sempre me cercaram. Ela foi muito pedida a Cosme & Damião, mas na data deles, ela seria prematura, porém, dia 12 de outubro já veio fortinha e animada) e minha estadia por aqui desandou um bocado.
Eu ainda adoro aqui e volta e meia leio gente que eu amo, mas não tenho mais conseguido comentar ou eu mesma escrever. Tenho escrito pra Yoyô, uns delírios assim alucinantes, não pensando muito na carga emocional de quando ela for ler. Apenas escrevo. Talvez deva editar antes que ela leia? Ou não? Foda-se, né? Queria ler coisas sobre minha mãe assim que eu nasci. Mas imagine, fui a terceira, como escrever? Imagino seu cansaço e tenho muita ternura por tudo que ela conseguiu fazer por mim. Principalmente em termos culturais. Minha mãe me apresentou coisas muito legais. Mesmo cansada, sempre havia tempo de ir ao cinema ou ir numa livraria. E não era Xuxa não. Ela agradecia aos céus por Vovó Régia nos levar para ver Xuxa, pois ela mesma não transava muito aquilo. Enfim, mas seria bom se ela tivesse escrito algo e eu pudesse ler. Adoro ler minha mãe. Seus bilhetes são jóias para mim. Claro que já rolaram bombas também. (minha mãe não gosta quando eu falo palavrão em show. No dia seguinte, sei que haverá uma msg terrível. Enfim, eu entendo. Não ligo mas respeito, é uma loucura ser filha também. Não só ser mãe).
Ser mãe é não ter tempo para um monte de coisa mas ter um tempo infinito para coisas tão minúsculas. Nada mais muito macro tem importância. Adeus, telescópio! Bem-vindo, microscópio. Detalhes, minúcias. Ela hoje segurou uma coisa pela 1x, ela hoje tomou um susto e piscou fofa. Ela hoje teve uma melequinha que escorreu pelo mínimo narizinho dela. Ela hoje isso, ela hoje aquilo. Ela amanhã vai aquilo outro. Pequenos milagres diários. Eu que já era besta dos prantos, agora choro ainda mais. Choro só de olhar.
Sinto falta de escrever mas o que estou sentindo é tão inédito que ainda não consigo elaborar e vir aqui contar para esse querido diário público. Talvez jamais consiga. Já dividi coisas da minha vida com o público mas há certas coisas que não quero dividir também. Quero só proteger mesmo. E ficar brincando de pegar saci enquanto o rodamoinho gira à nossa volta.
Esse texto parece que vai ser sobre maternidade mas nem vai. Quer dizer, já foi um pedaço mas agora tome essa:
Comprei a antologia de João Cabral de Melo Neto. Um dos grandes que eu ainda não tinha ido lá. Há muita gente para se ler, se descobrir, desvendar. Ele ainda era um deles. Fizemos nosso show Alfabeto Sonoro, no Museu da Língua Portuguesa, e tivemos que tirar as músicas em inglês, espanhol e os poemas só poderiam ser em português. Foi bom porque pesquisei poetas cabo-verdianas, de São Tomé & Príncipe, cantei Cesária Évora, Amália Rodrigues, enfim, foi bonito demais mergulhar - sempre - na língua portuguesa (e esse nome é uma loucura, porque acho mesmo que a gente fala brasileiro, mas enfim, um texto pro futuro, se bem que há gente BEM MAIS qualificada do que eu escrevendo sobre isso por aí). Mas essa volta toda (sou muito filha da minha mãe, mondieu!) era pra contar que a gente lia Jean Cocteau no show normal. Mas com retirada de alguns estrangeiros, fiquei pensando o que fazer com a letra J. Cogitei cantar Jorge Mautner, que amo pra dedéu, mas me veio uma vergonha d’eu nunca ter lido João Cabral de Melo Neto. Achei que estava na hora, achei que passou. Comprei logo o tijolo da antologia poética. Passeei um bocado. Há muita coisa ali. Uma amizade apaixonada com Drummond (minha primeira poesia lida foi dele, mamãe que me deu seu próprio livro, cheio de anotações, amava ver seus rabiscos) e muitas sensações.
Lá pelas tantas, leio um título que me chama atenção. Leio e rio muito. Isso é bem Clarice e que graça Cabral perceber e contar. Divido com vocês:
(peguei essa foto no google porque na antologia, esse poema ficou em páginas divididas, pena, não daria um bom registro pra vocês).
Adoro futebol (mas mais os jogos de antigamente). Porém, sei que perderei a voz na Copa esse ano. Mas não se iludam, não torço somente para o Brasil. Perco horas vendo Camarões e Suécia, é alguma doença genética que meu pai me passou ou muita convivência com 2 irmãos mais velhos me causou. Eu simplesmente gosto muito de jogo. De ver jogo. Pausa para assumir que eu AMARIA que Yoko fosse atleta hahahaha que pressão! Ela vai ser o que ela quiser, mas eu me vejo demais como mãe de atleta. Alucinada, torcendo, acalmando, pilhando. Mas sim, adoro futebol e adoro falar sobre a morte. Esse poema é curioso porque pra mim, tudo daria. Mas entendo que há quem não misture. Eu sou a rainha do mexidão. Um ovo opera muitos milagres.


Que bom que você voltou. É tão gostoso ler o que tu escreve. ❤️
um ovo opera muitos milagres foi o fechamento perfeito. que beleza de frase final.